sábado, 27 de março de 2010

Sitio da Nazaré - Monumentos e locais a visitar

Santuário de Nossa Senhora da Nazaré


Esta antiga Igreja tem traços típicos barrocos. No seu interior encontramos uma riqueza antiga e uma beleza inconfundível. O seu tecto de madeira e o altar-mor trabalhado são prova viva dos séculos passados. No altar encontra-se a imagem da Virgem e do Menino oferecidos por D.João V. Nas traseiras deste Santuário situa-se o Hospital que desde sempre acudiu aos problemas de saúde dos peregrinos.

Em 1377, o Rei D. Fernando mandou construir a primitiva igreja para albergar a sagrada imagem e dar acolhimento ao grande número de peregrinos em visita à Senhora da Nazaré. Esta foi ampliada nos reinados de D. João I, D. João II e D. Manuel, sofrendo sucessivas beneficiações.


É um grande edifício, dominado por duas altas torres sineiras de coruchéus, em estilo barroco, antecedidopor uma ampla galeria alpendrada, em lioz, mandada erguer por D. Manuel, para alojar os romeiros. Todo o edifício atesta a grande reforma do final do século XVII (1680 a 1691).

O interior é de uma só nave, em forma de cruz latina, coberta por um tecto de madeira pintado à maneira da época. Na boca da Tribuna encontrava-se uma grande pintura sobre tela, alusiva ao milagre do aparecimento de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho, que pode ser admirada à entrada da nave do lado esquerdo.

O altar-mor ostenta um retábulo em talha dourada de estilo nacional, com colunas salomónicas e aplicações de mármore, do final do século XVII. No Trono, numa maquineta, admira-se a venerada imagem, de madeira policromada e tez morena, da Virgem do Leite, com o Menino ao colo. As figuras são coroadas por diademas dourados, obra setecentista, oferecida à igreja por D. João VI. A sagrada imagem está envolta num manto verde bordado a ouro oferta de D. João V à Virgem.
     
A separação da capela-mor do corpo da igreja é feita por uma colunata em pau-santo e alguns belos pilares de embutidos em mármore italiano, trabalho oitocentista. No transepto, em dois altares colaterais, veneram-se, do lado do Evangelho, S. José e do lado da Epístola, Nossa Senhora do Rosário de Fátima.


O cruzeiro é coberto por uma grande cúpula, rematada por um zimbório, obra executada em 1837. O arco mestre é totalmente preenchido com decorações de talha dourada e embutidos, relativos aos principais círios que anualmente aqui se deslocavam, terminando pelo escudo real entre volutas.

No corpo da igreja existem quatro altares em talha dourada de 1756, sendo os da direita dedicados a S. Francisco Bórgia e a S. Joaquim e os da esquerda a Santo António e a Santa Ana.


Nas paredes dos topos do transepto distribuem-se vários painéis de azulejos azuis e brancos, do início do século XVIII, de decoração holandesa, assinados pelo mestre Willem Van der Kloet, retratando episódios do Antigo Testamento (cenas da vida de David e de José do Egipto).

Da mesma época, nas paredes da Sacristia existe um silhar de azulejos azuis e brancos, figurando profetas, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, que executou igualmente parte dos revestimentos azulejares dos corredores e da escada da Tribuna.


A restante decoração de azulejos, nos corredores de acesso à Sacristia, deve-se ao mestre Manuel Borges. Ainda na Sacristia podem ver-se duas tábuas e várias telas de finais de seiscentos, descrevendo a Lenda de N.ª Sra. da Nazaré, do pintor leiriense Luís de Almeida, seguidor da escola de Josefa de Óbidos.

No coro, assente sobre robustas colunas estriadas e de tecto apainelado com ornatos, subsiste um cadeiral procedente do Convento de Cós.


A Igreja e os azulejos que a revestem estão classificados, desde 1978, como IIP (Imóvel de Interesse Público).


A lenda de Nossa Senhora da NazaréA denominação Nossa Senhora da Nazaré atribui-se a uma imagem, talhada em madeira, com cerca de 20 cms de altura, representando a Virgem Maria a amamentar o Menino Jesus sentado no seu colo, sendo venerada no seu Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio da Nazaré, na Nazaré em Portugal.



A imagem é uma Virgem Negra com a cara e as mãos pintadas de cor morena. Não tem costas nem lados da cintura para baixo, o que indicia ter sido esculpida com a intenção de a encaixar numa estrutura em forma de trono.

A história da imagem foi publicada pela primeira vez, em 1609, por Frei Bernardo de Brito, no tomo II, da "Monarquia Lusitana". Este Monge de Alcobaça afirma ter encontrado no cartório do seu mosteiro, uma doação territorial datada de 1182, na qual se relatava a história da imagem da Senhora da Nazaré, sendo esta, uma transcrição de um pergaminho escrito cerca do ano de 714. A imagem, segundo este documento e de acordo com a tradição oral, terá sido venerada nos primeiros tempos do Cristianismo, em Nazaré na Galileia. Daí a sua invocação da Nazaré. Da Galileia terá sido trazida, no século VI, para um convento perto de Mérida, em Espanha, e dali, em 711 para o Sítio da Nazaré onde continua a ser venerada.

A história desta imagem encontra-se indissociavelmente ligada ao milagre a D. Fuas Roupinho, em 1182, episódio a que se convencionou chamar, a Lenda da Nazaré.

Durante a Idade Média apareceram centenas de imagens de Virgens Negras por toda a Europa a maioria das quais, tal como esta, esculpidas em madeira e de pequenas dimensões.

Conta esta Lenda da Nazaré que na manhã de 14 de Setembro de 1182, D. Fuas Roupinho, alcaide do castelo de Porto de Mós, caçava, nas suas terras junto ao litoral, quando avistou um veado, que de imediato começou a perseguir.

De súbito, surgiu um denso nevoeiro que se levantava do mar. O veado (na versão popular, uma materialização do demónio) dirigiu-se para o topo de uma falésia. D. Fuas, no meio do nevoeiro, isolou-se dos seus companheiros.

Quando se deu conta de estar no topo da falésia, à beira do precipício, em perigo de morte, reconheceu o local. Estava mesmo ao lado de uma gruta na qual se venerava uma imagem de nossa Senhora a amamentar o Menino. Rogou então, num grito desesperado, à Virgem Maria: Senhora, Valei-me!. Imediata e milagrosamente o cavalo estacou fincando as patas no bico rochoso suspenso sobre o vazio, o "Bico do Milagre", salvando-se assim o cavaleiro e a sua montada da morte certa que adviria de uma queda de mais de cem metros.


D. Fuas desceu à gruta para agradecer o milagre e de seguida mandou os seus companheiros chamar pedreiros para construirem sobre a gruta, em memória do milagre, uma pequena capela, a Capela da Memória, para ali ser exposta à veneração dos fiéis a milagrosa imagem. D. Fuas permaneceu no sítio do milagre até a obra da capela estar concluída.

Antes de entaiparem a gruta, os pedreiros, desfizeram o altar ali existente e encontraram um cofre em marfim, contendo algumas relíquias e um pergaminho no qual se relatava a história da pequena imagem esculpida em madeira, representando uma Virgem Negra sentada a amamentar o Menino.

Ermida da Memória


Junto ao Miradouro do Suberco, no local onde segundo a lenda N.ª Sra. da Nazaré salvou a vida a D. Fuas Roupinho, em 1182, ergue-se a pequena Ermida mandada construir, em acção de graças, pelo nobre cavaleiro.

De arquitectura singela, era inicialmente aberta em quatro arcos que foram fechados no século XIV. Encimando a porta de entrada, um painel de azulejos com o escudo português. Por cima, ao nível do telhado, coberto de azulejaria, um baixo-relevo em pedra calcária, do século XIV, representa D. Fuas Roupinho na gruta com os seus companheiros, em oração à Senhora. No interior, uma pequena escada dá acesso a uma lapa onde primitivamente estava a imagem da Virgem.


Todo o interior é revestido de painéis de azulejos azuis e brancos dos séculos XVII e XVIII, tendo a abóbada, ao centro, o pelicano, divisa de D. João II. À entrada, de ambos os lados, lápides em mármore contam a lenda do milagre, segundo a versão do cronista cisterciense Frei Bernardo de Brito.

No exterior, na fachada virada ao mar, um registo de azulejos figura o milagre de Nossa Senhora a D. Fuas Roupinho.



Padrão de Vasco da Gama


Em 1939, foi colocado no Sítio, perto do Bico da Memória e da Ermida, um Padrão comemorativo da vinda do Almirante Vasco da Gama à Nazaré.

De acordo com a tradição o bravo navegador, antes de embarcar à descoberta do caminho marítimo para a Índia, veio como peregrino à Senhora da Nazaré. Aqui, invocou a sua protecção e trocou a grossa corrente de ouro que trazia, pelo colar de contas da Virgem. Dizem que à passagem do Cabo das Tormentas se levantou um grande temporal pondo em perigo barcos e homens, então o Almirante atirou o colar da Senhora às águas, que logo se acalmaram.


Após o regresso a Portugal, veio novamente D. Vasco da Gama ao Sítio da Nazaré, como romeiro, agradecer à Virgem as graças recebidas, oferecendo-lhe um precioso manto.


Paço Real


No Sítio, junto ao Santuário de Nª Sra. da Nazaré, foi construído no reinado de D. João V, em 1718, a mando de D. Nuno Álvares Pereira de Mello, 1.º Duque do Cadaval, para alojar a família real e acompanhantes nas suas romarias à Virgem da Nazaré.

Obliterado por reformas sucessivas, conserva na fachada principal uma notável galilé alpendrada assente em colunas clássicas.

Albergou durante muitos anos o Jardim Infantil da Confraria de Nª Sra. da Nazaré.


Miradouro


O lugar mais famoso do Sítio da Nazaré é, sem dúvida, o chamado Miradouro do Suberco,o qual mostra a mais bela vista das vilas portuguesas.

 
Ascensor da Nazaré


A ligação da praia e do Sítio faz-se através do Ascensor da Nazaré, mais conhecido pelas gentes da Nazaré como "Elevador". Este meio de transporte que permite a ligação de duas localidades é visitado anualmente por milhares de pessoas, as quais aproveitam para ver na subida ao Sitio, a magnífica vista panorâmica da praia da Nazaré.


Forte de S. Miguel (Farol da Nazaré)


No extremo do Promontório do Sítio, que cai a pique sobre o mar, mandou D. Sebastião construir, em 1577, a Fortaleza de S. Miguel, destinada a defender a enseada dos ataques dos piratas argelinos, marroquinos e normandos.

Filipe II, cerca de 1600, mandou reconstruir a primeira fortaleza de acordo com a planta do arquitecto florentino João Vicente Casale.


Após a restauração da monarquia, D. João IV ordenou a sua remodelação e ampliação, dando-lhe o traçado que ainda hoje conserva.

É um notável monumento militar maneirista, característico da defesa da costa, com planta longitudinal irregular adaptada ao promontório sobre o qual assenta. Possui um baluarte em cada ângulo, grossas muralhas diversas vezes restauradas, com contrafortes, ameias e frestas, dispondo de uma original Praça de Armas no 2º piso. Por cima da porta de entrada, sob um lintel, uma imagem em baixo-relevo de S. Miguel Arcanjo e a legenda “El-Rey Dom Joam o Quarto – 1644”.


Durante a 1ª Invasão Francesa (Junot – 1807/1808), esteve ocupado por soldados de Napoleão I, que a população do Sítio e da Pederneira ajudou a expulsar, tornando-se assim num símbolo da resistência popular.

Quase todas as manhãs, a neblina dá os bons dias ao Forte São Miguel Arcanjo. O seu carácter defensivo já esmoreceu, mas, o farol aqui instalado desde 1903, continua vigilante, iluminando o caminho dos barcos que teimam em se aproximar demasiadamente da costa. Actualmente, tem um alcance luminoso de 15 milhas, sendo completado por um sinal sonoro de aviso em dias de nevoeiro intenso.

Segue-se-lhe, já isolada, mas bem vizinha deste promontório, a chamada Pedra do Guilhim, designação a lembrar o limite da área, além de Atouguia, concedida por D. Afonso Henriques a Guilherme de Corni.  

Fonte: http://www.cm-nazare.pt/

Fotos: Dias dos Reis

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